RECOMEÇOS

 Quero romance sem drama, quero amor sem parênteses, quero estrofes de riso fácil, poesia leve, madura, não quero uma leitura que me prenda, mas que me surpreenda, sem mais do mesmo, faço questão de rasurar as páginas tristes e reescrever minha história a lápis, quem sabe o personagem muda, quem sabe eu mudo o personagem, quem sabe a gente não junta nossas páginas em branco e faz um poema a la Georges Bataille


Pra isso eu viro a página e encerro mais um capítulo escrito a lápis
Nas minhas páginas em branco escrevo histórias que talvez nunca te conte
Páginas e páginas como um labirinto, eu vejo a saída e insisto em virar na direção oposta aumentando um poema que já perdeu a graça.
Parei de insistir no enredo da protagonista bocó que faz tudo por amor e sofre pela falta de reciprocidade, a única luta que quero escrever é aquela por mim mesma.
Encurto o drama, aumento a dose de êxtase e aventuras, dou ênfase aos momentos felizes e finalizo os capítulos com mais facilidade antes que caiam na rotina daqueles textos banais.

A verdade é que quando o protagonista começa a tropeçar de novo e antes que caia em mais uma armadilha, é preciso mudar e dar espaço a novos caminhos e a mais páginas em branco.
Não quero ser posse nem possuir ninguém, quero o comando da caneta cor vermelha para fazer as observações irrefutáveis e ao outro dou no máximo a borracha, que nas mãos certas faz apagar todo erro ortográfico e incoerência verbal que muitas vezes seu próprio personagem criou.

Texto - Agatha Barreto connisky



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

SEJA REAL