Primeiros erros - parte III - Negação e Barganha
Estava claro que eu deveria terminar, mas pensar em abrir mão de todos os sonhos e promessas doía de mais.
Era uma dor insuportável perto do que vi, ou dos sentimentos ruins que ele me fez sentir, então me vesti de culpa e fiz o que qualquer pessoa com dependência emocional faria.
Escutei todas as desculpas como se fossem verdades, admiti meus erros como se fossem só meus, dirigi quilômetros só para "terminar" da melhor forma com a única intensão de reatar o que já estava quebrado.
"Não, ele não vai terminar comigo, não pode, ele me prometeu o mundo, somos perfeitos, somos um casal"
Ahh as promessas... cuidado com as promessas elas tem um poder sobre o universo e sobre as pessoas e é de tamanha irresponsabilidade afetiva prometer o que não se pode cumprir.
Dirigi por 1h e meia, não conseguia mais trabalhar, não queria falar com ninguém , só queria chegar, olhar no olho dele, gritar "seu idiota" e beijá-lo, como se o beijo apagasse todos os enganos.
Cheguei e senti o desprezo, mas não queria admitir...
Meu corpo todo tremia, eu não devia estar ali, então comecei a escrever, uma carta para Deus.
Pela primeira vez em anos me ajoelhei e rezei minutos a fio, sem distrações, pedi a Deus com todas as forças que me escutasse e que me desse força quando na verdade o que eu precisava era discernimento.
Escrevi um compromisso para ele, para mim e para Deus e nossas famílias, ele leu com frieza, não fez diferença, todo mundo merece uma segunda chance, menos eu! pelo menos é assim que eu vi aquela situação...
Jogamos as cartas na mesa e eu lhe pedi 1 semana para mudar de ideia, pedi uma chance e ele concordou ( mais uma promessa vazia que não se cumpriria)
Ele esta na semana de luto, no seu inferno astral e o que ele diz ser razão claramente são emoções confusas, não é que a gente não precisasse acabar... precisávamos, mas não nossa relação e sim como ela estava sendo conduzida, isso era um fato.
Mas acabar tudo , desta forma, só me trazia mais dor, um sentimento profundo de abandono justamente 1 semana depois de ter pedido "me ajuda" e depois de tanto ter ajudado.
Eu barganhei, joguei ao vento dezenas de argumentos que ele provavelmente só escutava "bla bla bla" , depois fiz dezenas de promessas que o fizessem parar para pensar...
Semanas antes ele havia me questionado se eu perdoaria uma traição e divagou dizendo que a família era importante e que devemos tentar de tudo antes de acabar um relacionamento, fazer terapia, corrigir os erros, etc... Ao questioná-lo sobre isso ele me veio com uma resposta dura que abriu uma ferida que não sei se serei capaz de curar sem deixar cicatrizes...
"eu falava sobre um relacionamento sério, algo que não temos, não somos uma família Agatha, não temos nada"
Minha humilhação deveria ter acabado ali... argumentei com tudo que tinha... palavras , gestos, corpo e alma... sim.. quis me entregar mais uma vez , talvez a última...
Queria tentar, queria ter certeza de que todo sentimento havia acabado, de que a decisão era firme e certa.
Ele cedeu e fizemos o que fazemos de melhor, nos amamos ... com um pingo de culpa.
Dormimos abraçados, era cedo e eu não queria iria embora, o sentimento de perda voltou, a sensação de que poderia ser o último encontro invadiu meu peito, fizemos amor mais uma vez e cai no choro.
Nada mais importava... meu emprego, minha família, minha dignidade... tudo que eu conseguia ver na minha frente era o homem que eu amava, e ir embora era doloroso de mais.
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